Saturday, December 31, 2005

Legend of the Nile




















Paul Klee

Não, não quero dizer adeus

Não, não quero dizer adeus,
não, não quero felicitar o novo
quero apenas permanecer imóvel
deixar-me levar como que por uma onda
sem rumo nem destino
permanecer na crista do inimaginável amanhecer

não me peçam promessas que não possa cumprir
não me obriguem a percorrer caminhos

deixem-me navegar, ser levado, ser feliz
como aquela gota que percorre, infatigável um mundo
sem adeus, sem olá

Thursday, December 29, 2005

O grito de Munch
















hoje não sei como consegui vencer a informática, pela teimosia talvez, apreciem.....

O grito de Munch

gostava de adicionar a imagem deste já mais conhecido quadro de Munch, mas a informática não me deixa, por isso os meus pésamos para ela, mesmo, não sobretudo, incluindo as minhas faculdades informaticas que são nulas, espero que encontem essa imagem alugres, vale a pena

Hoje mais nada tenho a dizer

Apanharam-me num momento de fraqueza –
Num momento em que eu não era eu
São sempre frágeis os momentos em que nós não somos autênticos

Wednesday, December 28, 2005

Traço Contínuo














Wassili Kandinski

Tuesday, December 27, 2005

Um natal diferente

Não que ligue muito ao Natal (e daí… quem liga hoje em dia?, sempre oiço dizer que é um martírio e que a partir de meados de Dezembro se deveria já estar em Janeiro), passo-o normalmente sozinha, envolvida em pensamentos antigos, relembrando poemas que ainda no Natal do ano passado, e em anteriores, me fizeram sentir a realidade que vivo com mais ênfase.


Karin Kiwus


So oder so

schön
geduldig
miteinander
langsam alt
und verrückt werden

andererseits
allein
geht es natürlich
viel schneller
(adaptação para português do poema de Karin Kiwus)

Assim ou assim

envelhecer e enlouquecer
devagar
juntamente
com
muita paciência

pelo outro lado
sozinho
chega-se lá naturalmente
muito mais depressa


Já vai em quase duas décadas que não aceito convites para jantares de Natal ou festanças de Ano Novo. (A maioria das pessoas já desistiu a me convidar, o que tomo, quase, com um certo alívio, pois já me sinto cansada de utilizar sempre as mesmas desculpas.) Isolo-me, no entanto não sem certo prazer, nas minhas divagações e devaneios por mundos apenas a mim conhecidos.

Este ano, não sei por que raio, decidi, ao encontrar um amigo na rua que me disse com uma certa tristeza no olhar: “Ninguém quer passar o Natal comigo” responder-lhe: “Eu quero”. Naturalmente, fiquei um pouco assustada comigo própria, duvidando das minhas faculdades mentais de solitária veterana, mas decidi dar o dito por feito e foi jantar a casa dele para um pequeno ‘jantar simples’ a quatro.

A antecipação fez com que chegasse meia hora mais cedo, pois calculei mal o tempo de distância entre a sua e a minha casa, tendo sido recebida por um dos outros convidados, amigo comum, que vive em casa dele, visto que o meu amigo ainda se encontrava a tomar duche. Nesta altura apenas rezei que não derrubasse nada como me acontece normalmente quando me encontro em situações que me são estranhas como almoços ou jantares de festas. Mas nada disto aconteceu e pouco depois chegou o quarto convidado e encontrámo-nos sentados à volta de uma mesa simples mas com um requinte de fazer lembrar os grandes jantares de antigamente a enfrentar um banquete digno de A Festa de Babette.

Quatro pratos – um creme de cenoura com creme freche deliciosamente preparado, camarões num molho de indiscutível prazer de sabor, bife argentino com batatinhas assadas e milho tostado e uma salada com um vinaigrette que sugeriu os gostos mais exóticos que alguma vez experimentei. Como não podia deixar de ser, tudo isto acompanhado por espumante esfriado à temperatura exacta e por um vinho tinto ousado de um travo aromático à canela e cravinho. De seguida o usual café com bolinhos diversos de tradições culinárias diferentes.

Também as tradições diferentes dos quatro (um argentino recentemente neutralizado português, um alemão recém importado, um alemão a bom caminho e uma alemã aportuguesada), que com a alegre conversa compunham a sua quota-parte da alma misteriosa regente desta confecção de alimentos e do ambiente, elevaram este dito ‘simples jantar’ a uma confraria de umas horas bem passadas, em que a companhia me fez por completo esquecer a minha habitualmente tão preciosa solidão natalícia.

Talvez tenho sido apenas um momento único, talvez se repita, mas voltei a casa com alma e corpo reconfortado, lembrando-me de uma das mais alegres canções que conheço - a faixa Palhaço do disco Circense de Egberto Gismonti….

Saturday, December 24, 2005

Siren (Waiting for Ulisseus)
















Oskar Beck

SEREIA

Ser
Elevado
Raiz
Equilibrada
Intocável
Afrodite

Thursday, December 22, 2005

Os sete pecados mortais de Jerónimo Bosch

Um nada é o suficiente e nele cai o relâmpago