Ontém 'usufrui' de um convicte surreal via teclado que ainda hoje me deixa de boca aberta. Não sou nem moralista, nem dotada de complexos, paranóias ou outras coisas afim. A única coisa que me espanta é a falta de evolução do ser humano como ser humano. Em vez de ter crescido com a ciência estacou emocionalmente, como me parece. De facto regrediu em raciocíneo, compreensão e tacto. Antigamente pelo menos houve a componente pessoal, o olhar olho nos olhos, a aproximação, em fim....
Mas se nem antigamente acedi a tais convictes, muito menos hoje em dia via teclado. O lado positivo da questão foi fazer-me ir aos meus antigos escritos onde encontrei o seguinte:
De facto não há nada melhor do que estar sentada num bar sozinha! Companhia logo se arranja. Infalível – já aí vem. Em forma quádrupla se for preciso. Como se um ser tivesse mel.
“Cinco minutos de solidão, se faz favor.”
“Desculpe, mas a solidão não a vendemos aqui.”
“Não me podia trazer um bocadinho? Eu pago, a todo o preço!”
“Não há, não se vende, apenas temos em lista o incómodo a todas as modas. Não quer um?! Bem arranjadinho, pois claro.”
“Não, queria a solidão, simples, sem acompanhamento.”
“Ó minha senhora, já lhe disse, isso não há. Mas porque é que não bebe um incómodo, até é de graça, oferta da casa!”
Recusei, mas fui obrigada a. Afoguei-o, de seguida, com outros tantos que arranjei pelo caminho que sigo à procura da solidão, simples, sem acompanhamento…