Wednesday, January 25, 2006

Ondas de silêncio

Prefiro não ver nada daquilo que vejo
Prefiro não ouvir nada daquilo que oiço

Já nem falo, para não ser confundida

Arlequim




















Salvador Dali

Saturday, January 21, 2006

União de almas

"A nossa imagem no espelho" hei-de realizar, não sei quando (mais um projecto para juntar aos outros), uma dança para nós….” (Projecto fácil de realizar!!!)

“Em que é que estás a pensar?” perguntou.
“Hei-de realizar uma dança!” respondi.
“Hoje?”
“Não certamente!”
Sorriso
“A união de almas não existe”, continuei.
“Pois não!”
Resposta fácil, certa e distante, como as almas……

Thursday, January 19, 2006

Paul como arlequim


















Pablo Picasso

Amar

Não, não sei amar. É coisa que jamais aprenderei. Sei gostar e se isso não bastar paciência...

Mas mesmo assim encantam-me poemas de amor (impossível amar) como este da mestre Florbela Espanca

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

em Sonetos -
Florbela Espanca

Tuesday, January 17, 2006

Sonhar

Quem nunca sonhou perdeu uma vida
Quem nunca realizou um sonho perdeu uma eternidade

Sunday, January 15, 2006

Arlequim




















Almada Negreiros

Domingo

Passeios de família
Junção de almas não pertencentes
Amostras de corpos
Felicidades pretendidas – não adquiridas
Domingo
Passadeira de enganos….

Thursday, January 12, 2006

Nem palavras tenho

Ontém 'usufrui' de um convicte surreal via teclado que ainda hoje me deixa de boca aberta. Não sou nem moralista, nem dotada de complexos, paranóias ou outras coisas afim. A única coisa que me espanta é a falta de evolução do ser humano como ser humano. Em vez de ter crescido com a ciência estacou emocionalmente, como me parece. De facto regrediu em raciocíneo, compreensão e tacto. Antigamente pelo menos houve a componente pessoal, o olhar olho nos olhos, a aproximação, em fim....
Mas se nem antigamente acedi a tais convictes, muito menos hoje em dia via teclado. O lado positivo da questão foi fazer-me ir aos meus antigos escritos onde encontrei o seguinte:

De facto não há nada melhor do que estar sentada num bar sozinha! Companhia logo se arranja. Infalível – já aí vem. Em forma quádrupla se for preciso. Como se um ser tivesse mel.

“Cinco minutos de solidão, se faz favor.”
“Desculpe, mas a solidão não a vendemos aqui.”
“Não me podia trazer um bocadinho? Eu pago, a todo o preço!”
“Não há, não se vende, apenas temos em lista o incómodo a todas as modas. Não quer um?! Bem arranjadinho, pois claro.”
“Não, queria a solidão, simples, sem acompanhamento.”
“Ó minha senhora, já lhe disse, isso não há. Mas porque é que não bebe um incómodo, até é de graça, oferta da casa!”

Recusei, mas fui obrigada a. Afoguei-o, de seguida, com outros tantos que arranjei pelo caminho que sigo à procura da solidão, simples, sem acompanhamento…

Tuesday, January 10, 2006

Te aa aerois



Paul Gauguin

Mudança

Marés
Ulcerados
Divergentes
Ante
Núcleos
Crescentes
Amotinados

Alusão ao poema de Camões 'MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES'

Mudaram-se os tempos, esvaneceram-se as vontades,
O ser estagna perante a réstia de confiança,
Que permanece sob aparência mistificada.

Da esperança, que se houve, as saudades não se sentem,
E das mágoas mal contidas, da dor petrificada,
Submerge continuamente o grito da lembrança.

E se o tempo já cobriu o chão de verde manto,
A letargia não deixa de prever,
Que se outra mudança fará de mor espanto,
Quebrará o cobertor por emergir.